Os EUA não gostam de ser atacados

tio samHá décadas, os EUA atacam países, bombardeiam, aleijam, assassinam milhares de pessoas inocentes, crianças, jovens, homens, mulheres, velhos, destroem hospitais, escolas, casas, creches, asilos, mas sempre é para derrubar ditadores que estão matando o seu próprio povo, precisam ser derrubados. Chama o xerife! Para derrubá-los, os EUA vão lá e matam eles mesmos o povo… Mas geralmente esses ditadores foram colocados no poder pelos próprios EUA e, enquanto servem aos seus interesses econômicos e de domínio, são apoiados incondicionalmente mas quando, por algum motivo, um desses ditadores resolve não mais atender os interesses americanos, começam a ser chamados de ditadores e devem ser derrubados, nem que para isso, assassinem-se milhares de pessoas inocentes além, claro, de jovens americanos (geralmente negros e pobres) contratados por milhares de dólares mensais para ir lutar contra um ditador, em um país que eles nunca ouviram falar. Os que retornam, voltam com traumas terríveis, físicos e psicológicos, quando não sem braço, sem perna, cegos, surdos, e depois de receberem uma medalha pelos serviços prestados, ao som do Hino Americano, enquanto a bandeira é hasteada, passam a receber uma pensão vitalícia do governo americano. Os que não retornam, morreram para que os fabricantes americanos de armas consigam vender mais armas, bombas, aviões, navios, já que os fabricantes de armas são os mesmos fabricantes das guerras e o país que mais produz armas é também o que mais produz guerras.

         Sempre que os EUA está em litígio com algum país, em que algum ditador deve ser derrubado pelo xerife americano, alguma coisa acontece por lá… Derrubaram as Torres Gêmeas e o Iraque foi atacado. Quando a Coréia do Norte está incomodando (na verdade está fazendo exatamente o que os fabricantes de armas – e de guerras – americanos querem: incomodar) explodem bombas em uma maratona. Que horror! Atacaram o Império! Como ousam? Apenas nós podemos atacar! O que estão pensando?
         O ataque às Torres Gêmeas até hoje é denominado um “ataque terrorista” e os ataques dos EUA nessas décadas todas, no Vietnã, na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, e em breve na Coréia do Norte, são o que? Por que a imprensa nunca chama os EUA de país terrorista? Por que os ataques covardes americanos nunca são chamados de ataques terroristas? Por que os terroristas são sempre os outros? Nesse ataque, que muitas pessoas afirmam com convicção que foi engendrado pela CIA – pode-se duvidar disso? – morreram cerca de 2.000 pessoas, um número muitíssimo inferior aos ataques americanos à “torres” nos diversos países onde eles foram derrubar ditadores, cerca de 50 ou talvez 100 vezes superior a isso. No momento do ataque, quando os aeroportos foram fechados, apenas um avião recebeu autorização para levantar voo, nesse avião estava a família de Bin Laden,  sócios da família Bush… Interessante. O dia do ataque às Torres Gêmeas foi consagrado como o Dia de Combate ao Terrorismo, ou seja, atacar o Império é terrorismo, atacar os outros países é uma ação justa e necessária.
         Por que a Coréia do Norte não pode ter a bomba atômica? Por que o Irã não pode? Eu sei, mas o que eu não sei é porque os EUA pode, Israel pode, a França pode, a Inglaterra pode, a Rússia pode, a Índia pode… Quem comanda tudo no mundo é a ONU, em cuja sigla deveriam ser acrescentadas algumas letras, e chamar-se ONUPPI (Organização das Nações Unidas em Prol de seus Próprios Interesses). Os países que comandam a autointitulada ONU, um seleto grupo de países onde não é qualquer um que entra, decidem o que pode, o que não pode e sempre funciona assim: o que serve aos interesses expansionistas e econômicos de seus membros, pode, o que contraria esses interesses, não pode.
         Eu sou um espiritualista e um pacifista, contrário a qualquer tipo de violência, mas anseio pelo dia em que a verdade venha à tona, os heróis sejam assim considerados e os vilões, desmascarados. Para isso, é necessário que tenhamos um olhar crítico sobre os acontecimentos, que não nos impressionemos com as notícias e sua rápida interpretação, que comecemos a pensar por nós próprios, que percebamos com clareza quem ataca e quem é atacado, quem é o vilão, quem é a vítima, para que não aconteça de, novamente, como no Velho Oeste, quando os americanos dizimaram os índios, escalpelavam-nos para vender seus couros cabeludos na Europa para confeccionar perucas, acabaram com as manadas de búfalos (Por que o “grande herói americano” Búfalo Bill recebeu esse nome?), atacavam suas aldeias, seus cemitérios sagrados, suas florestas e rios que aqueles “selvagens” reverenciavam como seres vivos, para, no final de tudo, os americanos serem considerados pioneiros e desbravadores e os índios de “malditos selvagens”. O que mudou de lá para cá? Os americanos continuam os heróis e os novos índios são esses árabes sujos e barbudos, todos com cara de terroristas, que querem – imagine! – que os americanos voltem para sua terra e deixem-nos viver em paz ou do jeito que quiserem ou puderem. O que os americanos estão fazendo lá do outro lado do mundo? Quem os nomeou xerifes do mundo? Por que não voltam para casa e vão cuidar de sua vida? Os fabricantes de armas não permitem, para eles o negócio é fabricar guerras, e aleijar e matar pessoas faz parte do seu negócio. Nem que tenham que derrubar as Torres Gêmeas ou soltar bombas na Maratona, a paz não é de seu interesse, ela não dá dinheiro.

A duração de um tratamento com a Psicoterapia Reencarnacionista

Passados 16 anos desde que a Psicoterapia Reencarnacionista começou a formatar-se em nosso planeta, sinalizando a psicologia do futuro, começamos agora a enxergar que, sem perceber, sofremos uma grande influência da Terapia de Regressão (TVP), no seu aspecto dessa ser uma “Terapia breve”, de 2 ou 3 meses de duração. E, com isso, as pessoas chegando para curar sintomas focais como as fobias, o transtorno do pânico, as depressões severas, dores físicas crônicas, etc., a imensa maioria oriundas de vidas passadas, e sabendo que é realmente possível curar ou melhorar de 80 a 90% esses transtornos com 2, 3 ou 4 sessões de regressão, em poucos meses, o tratamento com a Psicoterapia Reencarnacionista passou a ter, para nós, o aspecto de ser uma “Terapia breve”. E começamos a passar isso para as pessoas.

fobiaCom o imediatismo que caracteriza o ser humano, a possibilidade de resolver ou amenizar significativamente transtornos que, com as Terapias tradicionais e mesmo com Terapias alternativas, levaria anos para acontecer ou nem haveria um resultado realmente satisfatório, as pessoas gostaram da ideia e começamos a proporcionar-lhes muito mais Terapia de Regressão do que Psicoterapia Reencarnacionista. Com poucas sessões de Regressão e poucas reconsultas, acontecendo uma melhora bastante satisfatória ou a remissão total dos sintomas de suas fobias, pânico, depressão, dores físicas, etc., elas estavam muito satisfeitas, e nós também. E mesmo que soubéssemos que o trabalho estava apenas começando, pois aí seria realmente iniciada a Psicoterapia Reencarnacionista, que é a Terapia da Reforma Íntima, a Terapia da libertação do Ego, a Terapia do real aproveitamento de uma encarnação, com enorme frequência, as pessoas abandonavam o tratamento, não por estarem descontentes com ele, pelo contrário, por estarem muito satisfeitas com o resultado das Regressões em seus sintomas. Mas e a Reforma Íntima? E a libertação do seu Ego? E a releitura de sua infância? E a versão persona X Versão Espírito (Raciocínio X Contra-Raciocínio)? E o entendimento dos gatilhos e das armadilhas como situações necessárias para o afloramento de nossas inferioridades e intensificação de nossa evolução espiritual? Enfim, as pessoas e nós muito satisfeitos com o resultado das Regressões, mas e a Psicoterapia Reencarnacionista?
A nossa Escola não pode transformar-se em uma Escola de Terapia de Regressão, pois a sua intenção é muito maior, ela veio para salvar almas, veio para nos ajudar a enxergar a nossa vida (começando pela nossa infância) com os olhos espirituais e não mais com os olhos personais, veio para colaborar com os resgates entre Espíritos conflitantes, veio para nos ensinar a retificar nosso Caminho, veio para nos ajudar a evitar desenvolver doenças físicas, psicológicas e psiquiátricas devido a equívocos na maneira de enxergarmos os fatos, situações e os personagens de nossa vida, enfim, Psicoterapia Reencarnacionista não é TVP, ela é a evolução da TVP, é a utilização das Regressões com uma finalidade muito maior do que apenas melhorar ou curar sintomas focais, é a possibilidade da conscientização salvadora, do entendimento retificador, dos insights transformadores. Ela é a mesma terapia utilizada no período intervidas e, como lá, as Sessões de Telão tem um efeito clarificador e esclarecedor, mas não são a terapia em si, essa inicia olhando o Telão e mantém-se por muito tempo, até a pessoa dizer para si mesma: “Tudo foi certo em minha vida anterior, tive a infância que precisei, recebi os gatilhos que necessitei, enfrentei as armadilhas que solicitei, Deus me deu tudo que eu precisava e merecia, o enredo foi escrito com esmero, o Autor é Mestre no Amor e na Justiça, tudo foi correto, onde eu errei? Na minha maneira infantil, egóica e egocêntrica de enxergar. E o que posso fazer agora além de me envergonhar, me arrepender, me sentir profundamente frustrado e aguardar a próxima vida terrena, para ver se, dessa vez, me liberto de mim, me endereço ao meu Eu Superior, enxergo as coisas como são realmente, de uma maneira adulta, e, finalmente, começo a aproveitar essas descidas para a Terra?”
Isso é a Psicoterapia Reencarnacionista no Mundo Espiritual e é a mesma aqui na Terra. É muito mais do que as Regressões (Sessões de Telão), é a mudança na nossa maneira de enxergar, de pensar, de sentir, de agir, é a releitura madura de nossa infância, é a visão clarificada dos fatos/situações/coadjuvantes de nossa vida atual, é a preparação de nosso futuro (nessa e nas próximas encarnações…), é a subida do foco no umbigo para o coração, é aprender a falar e a pensar sem dizer “eu”, “meu” e “minha”, é ir tornando-se um auxiliar de Deus em seu projeto para a Terra, para um dia, poder ser um Seu representante.
E isso pode ser obtido em 2, 3 ou 4 meses? Impossível! É necessário que conversemos com as pessoas que nos procuram (geralmente para fazer Regressão) sobre como é a nossa psicologia, o que ela visa, o que as Regressões proporcionam (o aspecto do desligamento e o aspecto consciencial), explicar que faremos um trabalho em conjunto com sessões de conversa e sessões de Regressão, que o tratamento tem a duração de vários meses, que podem ser encontros semanais, a cada 10 dias ou quinzenais, e qual a finalidade disso. As pessoas devem entender, na 1ª consulta, que Psicoterapia Reencarnacionista não é sinônimo de Terapia de Regressão, que melhorar ou curar sintomas focais não significa evolução espiritual, que libertar-se de uma Fobia ou do Pânico é muito fácil, basta encontrar as situações originárias e desligar-se delas, mas recordar qual a nossa programação pré-reencarnatória, qual a nossa proposta de Reforma Íntima, qual o nosso caminho nessa atual encarnação, recordar para o que reencarnamos, por que co-criamos nossa infância, por que atraímos tudo em nossa vida (o aparentemente positivo e o aparentemente negativo), realmente aproveitar essa passagem pelo Astral Inferior, retornar para Casa como um vencedor de si mesmo, chegar lá em cima como alguém que conseguiu, que sofreu mas venceu, ser parabenizado e não consolado, chegar pronto para o trabalho e não necessitar ser buscado no Umbral ou encaminhado em uma maca para um hospital, tudo isso necessita ser feito em vários meses de tratamento, 8, 10 ou mais. E isso o psicoterapeuta reencarnacionista deve entender e saber explicar para as pessoas que chegam em seu consultório.
cura-do-corac3a7c3a3oO Tratamento é assim: um tratamento inicial de 6 encontros (1ª consulta e mais 2 reconsultas intercalando com 3 Sessões de Regressão), e no 6º encontro, combinamos como continuaremos o Tratamento, se necessitaremos de mais Sessões de Telão ou não, se iremos conversar semanalmente, a cada 10 dias ou quinzenalmente, até quando precisaremos nos encontrar, antes da alta, e essa ser condicionada à mudança profunda que iremos sentindo na maneira da pessoa de pensar, sentir, enxergar a sua vida, entender a sua infância, endereçar a sua vontade e energia, como está evoluindo o seu grau de libertação.
Quando uma pessoa vai realizar um Tratamento com um psicólogo ou um psiquiatra, sabe que a duração será de vários meses ou anos, no nosso caso deve ser a mesma coisa, mas diferentemente dessas Terapias não-reencarnacionistas, a nossa alcança uma muito maior profundidade e abrangência e pode necessitar até mais tempo.
Mas, para que possamos ser eficientes e competentes nesse tipo de Tratamento, no qual somos escolhidos pelo Mundo Espiritual pra Lhes auxiliar com seus discípulos, que estão perdidos aqui na Terra, precisamos iniciar tudo isso conosco mesmos, praticar em nós mesmos todos os princípios da Psicoterapia Reencarnacionista. Muitos querem ser monitores, muitos querem ser Ministrantes, a nossa Escola necessita de muitos monitores e Ministrantes para que possa cumprir a sua Missão de abranger todos os estados do Brasil e outros países. Queremos milhares de psicoterapeutas reencarnacionistas em todos os estados, em centenas de cidades, colaborando com esse Projeto do Mundo Espiritual para seus filhos que estão vagando, adoecendo-se desnecessariamente, conflitando-se, brigando, magoando-se, isolando-se, trilhando desvios e atalhos escuros, quando o Caminho da Luz é tão lindo e tão claro!
Vamos fazer da Psicoterapia Reencarnacionista a Terapia da Libertação que ela é, começando por nós mesmos e estendendo-a aos irmãos e irmãs que nos procuram.

O MAL NECESSÁRIO BEM NECESSÁRIO – 2a. Parte, por MILTON MACIEL

Milton Maciel, escritor

Milton Maciel, escritor

Postei aqui, no dia 2 de Dezembro, um texto onde, entre outras coisas, eu contava como foi difícil encontrar na Internet o nome do autor de MAL NECESSÁRIO, canção de melodia e poema incomumente belos, imortalizada na interpretação antológica de Ney Matogrosso,

Foi preciso chegar à DECIMA SÉTIMA busca para encontrar um nome: MAURO KWITKO. Surpreendente, pois esse nome eu o tinha associado ao de um médico homeopata espiritualista, que escreve livros sobre terapia reencarnacionista. Curioso, fui ao portal do Mauro Kwitko e lá, junto à fotografia de um simpático e vivaz senhor de 65 anos, encontrei, na Biografia, a foto de uma rapaz cabeludo, com seu violão. E a constatação: Sim, era ele o autor de Mal Necessário – Música e Letra!. Então eu escrevi:
“Só não posso saber ainda como é que essa composição genial chegou a Ney Matogrosso e seus produtores musicais. Mas tenho que dizer que, para todos nós outros, resultou em grande felicidade que isso tivesse acontecido.”
POIS BEM, hoje tenho a satisfação de contar como foi que isso aconteceu. A fonte: o próprio compositor Mauro Kwitko. Tive o prazer de entrar em contato com ele por e-mail, relatando a singela homenagem que este blog lhe havia prestado e aí recebi do Mauro a mensagem postada abaixo.. Prestem atenção na forma paranormal como a composiçào surgiu e fiquem sabendo que quem escolheu o nome foi o próprio Ney MATOGROSSO:
“Milton, obrigado pela citação a minha pessoa, fiquei bem emocionado com seu gesto. Vou te contar como o “Mal Necessário” foi feito:
 
Era o ano de 1978 e um amigo em comum me levou na casa do Ney para eu mostrar músicas para ele. Tocamos a tarde toda, eu naquela expectativa do Ney se apaixonar por alguma música, sabe como é compositor, né? Bem, ele gostou, foi tudo muito bom, tudo muito bem, voltei para casa (morava com outros músicos no Leblon), e, lá chegando, por sorte, não tinha ninguém em casa, fui para a sala, sentei no chão, peguei o violão, e PARECE QUE SAÍ DO AR… QUANDO DEI POR MIM, HAVIA UMA LETRA ESCRITA; e TOQUEI A MÚSICA, e achei-a linda! Tinha tudo a ver com o Ney daquela época.
 
Fui até um orelhão, liguei para o Ney, contei o ocorrido, ele pediu para eu voltar a sua casa, mostrar essa música nova. Peguei o ônibus e fui. Lá chegando, comecei a tocar e ele se apaixonou! Pegou um gravador (cassete!) e pediu para começar de novo que ele queria gravar no gravadorzinho. Perguntou o nome? Não tinha ainda… Falei que havia sido feita para ele, o que achava? Ele pensou um momento e disse: Mal Necessário. E foi assim. Ela toca até hoje, 34 anos depois. 
 
Atualmente, eu recebo Hinos Espirituais do Astral, já são cerca de 250 Hinos, podes escutar um pouquinho no link Cds no meu Portal (www.portalmaurokwitko.com.br). Gravei 2 Cds independentes com eles – Hinos de Paz e Hinos de Amor, e estou gravando outro no Garage Band do meu IMac. Então, Milton, assim é a vida, fazemos coisas, elas vão e vem, passam, ficam, vêm outras, e a vida continua. Abração, Mauro” 
Atualmente, Mauro Ktwiko dá cursos de Psicoterapia Reencarnacionista e Regressão Terapêutica em várias cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. Informações no seu portal.
(A letra completa da canção e o link para o vídeo  estão postados no texto de 2 de Dezembro)

O IMÃ E O FAROL, por Mauro Kwitko

Um dia, um imã e um farol encontraram-se para conversar. Como um imã e um farol foram ao encontro um do outro, como um deles caminhou até o outro, ou foi de alguma outra maneira, deixo a cargo da imaginação e da criatividade de quem ler esse texto. O que sei, é que um dia um imã e um farol encontraram-se para conversar, e conversaram.

– “Ando me sentindo muito mal.”
– “Por quê, imã?”
-“Não sei bem, na verdade estou sempre me sentindo meio mal, raro é o dia em que me sinto bem.”
– “Por quê, imã?”
– “Não sei, sou uma pessoa boa, não faço mal pra ninguém, procuro só fazer o bem, ajudo um monte de gente, trabalho na caridade, num Centro Espírita, mas estou sempre me sentindo pesado, como se estivesse carregando um peso nos meus ombros, a minha cabeça pesa, tenho dores, meu estômago dói, meu intestino não funciona bem, e outras coisas.”
– “Por quê, imã?”
– “Por que você só fica me perguntando “Por quê?”, “Por quê?”, se eu soubesse não me sentia sempre assim, tem alguma ideia do que pode ser?”
– “Tenho, mas você não vai escutar ou, se escutar, não vai concordar e se concordar, não vai praticar.”
– “Mas que negativismo, uma pessoa como você, um farol, sempre bem, sempre brilhando, irradiando essa luz, essa aura maravilhosa, nunca pensei que fosse pessimista, negativo.”
– “Não sou pessimista nem negativista, sou realista. Eu sei por que você está sempre sentindo-se mal, pesado, e posso lhe dizer.”
– “Então diz, estou preparado, ou tem de fazer uma preparação especial para escutar o conselho de Vossa Majestade?”
– “Sem ironia, imã. Escute: você sabe a diferença entre um imã e um farol?”
– “Sei, o imã está sempre mal e o farol sempre bem. Mais alguma coisa, Mr. Luz?”
– “Vou fingir que não escutei. A diferença é simples: o imã capta as negatividades, as densidades baixas das demais pessoas e do ambiente, e fica para si, enquanto o farol capta a Luz do Alto e irradia. O imã assimila as tristezas e as raivas dos outros, o farol endereça a Luz para eles. O imã sofre pelas dores dos outros, o farol endereça a Luz para eles. Por isso, o imã está sempre mal e o farol está sempre bem.
– “Quer dizer que ambos sofrem pelos outros mas o imã capta e pega pra si e o farol não?”
– “O imã sofre pelos outros e assimila esse sofrimento como seu. O farol não sofre, ele apenas observa e entende.”
– “Mas o imã faz mais pelos outros do que o farol! O imã está lá, vai lá, aproxima-se, sente a dor, a tristeza das pessoas, o farol fica lá, numa boa, sempre num lugar mais elevado, apenas irradiando, clareando, iluminando, isso não é egoísmo?”
– “Ambos fazem o seu trabalho, apenas o imã nasceu com a vocação de sofrer pelos outros, e pelo mundo, enquanto que o farol nasceu com a vocação de clarear a consciência das pessoas, de clarear o mundo. Digamos que você veio para sofrer pelas pessoas e eu vim para iluminá-las.”
– “Mas de que adianta iluminá-las? Elas têm tristezas, têm dores, têm doenças, vai ficar só iluminando? Tem que ir lá, curar suas feridas, tratar suas doenças, consolá-las, dar uma palavra amiga, pegar na mão, dar apoio. É muito fácil ficar aí em cima, nesse lugar alto, só olhando, captando Luz, irradiando, eu aqui em baixo me ralando, pegando as coisas delas, sofrendo pelas injustiças, sentindo as dores do mundo, na outra vida quero vir farol.”
– “Eu já fui imã, no passado. Um dia aprendi que captar as dores e as tristezas das pessoas, sofrer pelo mundo, é um misto de bom coração e identificação. E comecei a querer manter apenas o bom coração e me libertar da identificação.”
– “Como assim?”
– “A pessoa imã tem bom coração, quer fazer o bem, e faz, quer ajudar, e ajuda bastante, é uma pessoa indispensável, ela ameniza o sofrimento dos outros, ela consola, mas ela sofre junto, ela capta, agrega a si, e não sabe despachar, eliminar, libertar-se disso.”
– “E por isso sente esse peso, esse desconforto, essa sensação de tristeza, de dor?”
– “Sim, pois além de suas próprias mazelas, agrega as dos outros, além de seus próprios sofrimentos, assimila os dos demais, além de suas próprias tragédias, entra nas dos outros. Entende?”
– “Perfeitamente. Mas como faço para mudar? Você disse que antes era uma pessoa imã e agora é uma pessoa farol, como se faz isso?”
– “A primeira coisa a fazer é entender isso, e você está entendendo, depois tem que aprender a sintonizar com o Alto, mais ou menos permanentemente, e isso não é fácil, necessita uma postura de vida que selecione onde vai colocar a sua atenção, em que vai pensar, como vai sentir as coisas, os lugares que vai frequentar, o que vai ver na televisão, o que  vai acessar na Internet, os assuntos que vai entabular com os demais, enfim, estar com os pés na Terra e a cabeça nas alturas. Será que você consegue fazer isso ou viciou-se em sofrer?”
– “Viciou-se em sofrer? Você está insinuando que eu gosto de sofrer? Que eu sofro porque quero?”
– “Não, não estou dizendo isso, estou falando sobre o hábito de sofrer que as pessoas imã têm, é como um costume, uma atitude perante a vida, não é fácil promover essa mudança, pois muitas forças interiores, muitos ganhos secundários, muitas compensações psíquicas procurarão dar um jeito de boicotar o desejo de mudança, inclusive irritando-se, me criticando, e até sentindo uma inveja que faça com que acione os mecanismos de defesa, o da negação, o da contestação, como já está acontecendo agora.”
– “Inveja? Pra falar a verdade, eu lhe acho meio metido mesmo, sempre  brilhando, chega nos lugares, parece que ilumina o ambiente, todos querem se aproximar, parece que querem absorver a luz que brota naturalmente de você, enquanto eu procuro me esconder, me enfiar num canto, pra não pegar as coisas dos outros, a energia deles, tudo me faz mal, me dá dor de cabeça, dor no corpo, fico enjoado, acho que você tem razão, preciso deixar de ser imã e ir virando farol. Aceita discípulo, amado Mestre?”
– “Não sou Mestre e não aceito discípulos, eu sou um discípulo. Meu Pai é Deus, minha Mãe é a Nossa Senhora, meu Guia é Jesus, sou um instrumento da Consciência Universal, sou um canal por onde jorra a Luz Divina, sou um mensageiro da Esperança, sou um atalho para a Vida.”
– “Como faço para ser um farol?”
– Comece a evitar sofrer pelos demais, a perceber sem agregar, a escutar sem assimilar, a sentir sem captar, e quando não conseguir, tem de aprender a despachar, a eliminar, a enviar para o Alto, para que saia de você e retorne ao Todo.”
– “Eu vou procurar fazer isso, farol. De vez em quando posso vir aqui conversar com você?”
– “Sempre que quiser, imã, eu estou sempre aqui, lembra?”
– “É verdade. Obrigado pelos conselhos, vou procurar segui-los, eu ficarei melhor e as pessoas que se aproximarem de mim, também ficarão, não é mesmo?”
– “Certamente, e fico feliz percebendo que está entendendo que é melhor jorrar Luz do que captar a escuridão, que é mais saudável irradiar a Cura do que captar a doença, que é mais curador transbordar a Claridade sobre o sofrimento do que servir de esgoto para ele. Boa sorte, imã, apareça.”
– “Apareço, sim, farol, fique com Deus.”
– “Estou sintonizado com Ele. Mais do que acreditar em Deus, procure permanecer sintonizado com Ele.”
– “Sim, farei isso.”

O QUE É A INSEGURANÇA?

A insegurança geralmente é vista, abordada em tratamentos psicológicos e tratada como algo patológico. Nos tratamentos clássicos, dessa vida apenas, ela é entendida como algo que surgiu na infância. Nos tratamentos que lidam com a Reencarnação, como uma característica que nasceu com aquela pessoa, advinda de vidas passadas. Mas não se fala sobre o que ela é, por que assim se manifesta, o que significa. E é sobre isso esse texto.
A insegurança é um atributo de um Ego forte ou um Ego fraco? E o que é um Ego forte ou fraco? Quais os critérios que norteiam essa definição? Sob quais pontos de vista pode-se dizer que um Ego é forte ou é fraco? E uma pessoa insegura, apresenta um Ego forte ou fraco? Sempre considerou-se que a insegurança é atributo de um Ego fraco, mas será mesmo? Precisamos, então, considerar duas coisas:
1. O que é um Ego forte ou fraco?
2. Sob que ponto de vista isso é assim definido?
Para isso, precisamos lembrar quem somos, de onde viemos e onde estamos. Quem somos? Um Espírito. De onde viemos? Do Plano Astral superior. Onde estamos? No Plano Astral inferior. Evidentemente, esse texto sendo escrito por um autor que acredita na Reencarnação, abordará esse estudo sob esse enfoque. Entenda-se Espírito como uma Consciência, Plano Astral superior como o período intervidas e Plano Astral inferior como a Terra.
O que é ser forte? Pelos critérios espirituais, ser forte é ser amoroso, gentil, delicado, altruísta, generoso, desapegado de si, pensar mais nos outros do que em si, não querer sobrepor-se aos demais, não ser vaidoso, orgulhoso, autoritário, não querer ser chefe de nada, querer ser igual aos outros, tratar os demais como quer ser tratado, não fazer o que não quer que seja feito para si. Todos esses atributos são de um Ego fraco, obediente ao seu Espírito, aos seus Mentores Espirituais, a Deus. E as pessoas de Ego forte são, ao contrário, egóicas, egocêntricas, egoístas, irritadas, impacientes, agressivas, autoritárias, competitivas, querem sobrepor-se aos demais, querem dominar, querem mandar, querem ser melhores, almejam ser superiores. Evidentemente, entre esses dois polos existem inúmeras graduações, tanto para um extremo como para o outro. Digamos, para exemplificar, um Chico Xavier representando as pessoas de Ego super-fraco e um Hitler, os de Ego super-forte.
Aqui na Terra, quem são os “vencedores”? Quem são os “fortes”? Quem são os primeiros nas competições mundanas? Os de Ego forte. Quem são os inseguros, os medrosos, os tímidos? Os de Ego fraco. Então vejam: os de Ego forte são um “sucesso” aqui na Terra e ao chegarem no Astral superior são encaminhados para os Grupos de Estudos dos autoritários, dos vaidosos, para entenderem essa sua ilusão. Os de Ego fraco, frequentemente, são um “fracasso” aqui na Terra e ao voltarem para Casa, são recebidos com alegria, congratulações, parabenizados pela sua coragem, de manterem-se fiéis aos valores espirituais durante o teste terreno.
Jesus afirmou: “Bem-Aventurados os mansos porque eles possuirão a Terra.” e “Bem-Aventurados os pacíficos porque eles serão chamados filhos de Deus”. Precisa dizer mais? Os mansos e os pacíficos, aqui na Terra, são inseguros, medrosos, tímidos, retraídos. Por quê? Se eles são espiritualmente superiores aos “fortes”, aos agressivos, por que sentem-se assim, fracos, inseguros, às vezes até deslocados, aqui na Terra? Porque aqui predomina um sistema de vida masculino e, ainda pior, no mau sentido, no que o masculino tem de pior, na agressividade, luta e competição, enquanto que lá no Astral superior, predomina um modo de vida feminino, no que ele tem de melhor, no amor, suavidade e gentileza. Por isso, os Espíritos mais inferiores aqui na Terra se sentem melhor e os mais superiores, sentem-se mal. Os primeiros sentem-se em casa, os outros, deslocados. Mas quando da volta para nossa Casa verdadeira, os mansos e pacíficos sentem-se em casa e os vaidosos, competitivos e egóicos, sentem-se deslocados, até (e se) entenderem essa sua ilusão, baseada em um nível ainda inferior de evolução espiritual.

Por isso esse texto, para que as pessoas que sentem-se inseguras, fracas, que sentem medo, que são retraídas, mais caladas, que não querem competir com os demais, que não querem parecer ou ser mais que os outros, que não desejam vitórias materiais, reconhecimentos egóicos, sucessos materialistas, comecem a pensar se são realmente menos que os “fortes”, os “vitoriosos”, “os que conseguem”, ou se são mais (espiritualmente)? É importante que isso seja visto e entendido a partir dos critérios que regem essa sensação, a de ser mais ou de ser menos.
Quem trabalha com a Terapia de Regressão, sabe que as pessoas inseguras, medrosas, tímidas, são assim há várias encarnações e faz parte de sua proposta de Reforma Íntima, mudarem essa maneira de ser, por isso esse texto, para que essas pessoas comecem a enxergar-se e a enxergar os demais e seu entorno social como deve ser visto, com a clareza necessária para que coloquem nos pratos de sua balança, de um lado os valores que possuem, verdadeiros, espirituais, eternos e, do outro, os valores definidos e apregoados como “assim que devemos ser”, “assim são os vencedores”, “esses os valores pelos quais devemos lutar e alcançar”.
Como dizia Gurdjief, o Espírito ao reencarnar entra em uma espécie de hipnose da qual, geralmente, só liberta-se ao desencarnar e retornar ao Mundo Espiritual. Essa hipnose, fortemente alicerçada e reforçada pelas mídias, faz com que a maioria das pessoas queira ser como foi decidido que devemos ser, como priorizaremos proceder, o que vamos querer, o que iremos almejar, onde queremos chegar. As classes inferiores (do ponto de vista social) lutando para sobreviver, a classe media lutando para ascender na pirâmide, a classe alta lutando para aí manter-se, uma grande parcela da população trabalhando em qualquer coisa que oportunize isso, chegando em casa, cansados dessa luta diária, não querem pensar, querem apenas descansar, ligar a televisão e ver o que acontece por aí. E o que acontece por aí? O que a televisão mostra, de acordo com seus critérios. E quais são esses critérios? Os que atraem a audiência. E o que atrai a audiência? O não-pensar, o deixa-pra-lá, o não-quero-me-incomodar, o-que-está-na-moda, o-que-dá-na-novela. Pois isso é o que vende. E por que é o que vende? Porque uma enorme parcela da população foi viciada em televisão, esse é o maior vício aualmente, competindo com o vício na Internet. Existe algo de bom na televisao? Sim, mas não vende. Existe algo de bom na Internet? Sim, mas poucas pessoas acessam. A televisão vende o fútil, o supérfluo, o imediatista, a Internet vende “a comunicação” entre as pessoas.
O que isso tem a ver com a insegurança? Tudo. Como se sente um menino que não é bom de bola, que nunca será craque? E uma menina que não é magrinha, que nunca poderá ser manequim? Um adolescente espiritualista, calmo, que não gosta de bagunça, de gritaria, que gosta de ficar em casa, lendo? E um adulto que não quer ser chefe, não quer ser rico, quer apenas levar uma vida tranquila, honesta e digna? Uma pessoa velha que está fora de moda, que dizem que está na melhor idade, mas não se sente assim? Uma certa ocasião atendi uma moça que afirmava ser muito insegura, medrosa, tímida, retraída, estudava Enfermagem, gostava de frequentar Centro Espírita, que queria tratar isso. Percebi que estava diante de um Espírito acima de media, que no Mundo Espiritual estaria fazendo o maior sucesso mas que aqui achava-se um fracasso… Notei que falava com admiração de sua irmã, que, ela sim, era bonita, popular, desembaraçada, conseguia o que queria, vários rapazes aos seus pés, ao passo que ela era feia, sem criatividade, poucas amigas, ninguém se interessava por ela. Perguntei a ela como era sua irmã, internamente? Me disse que era muito egoísta, autoritária, tinha ataques de raiva, só pensava nela. Fiquei um tempo observando-a, escutando o seu relato, pensando: Como é que pode um Espírito superior achar-se menos do que um Espírito inferior? Só na Terra mesmo… Em seguida, pedi a ela que pegasse uma folha de papel que lhe alcancei com um traço vertical, separando-a em duas partes, onde, acima, eu havia escrito VOCÊ e na outra parte A SUA IRMÃ. Pedi a ela que colocasse na sua parte os valores verdadeiros, do ponto de vista espiritual, ou seja, os valores morais, éticos, eternos, e fizesse o mesmo na parte destinada a sua irmã. E a deixei sozinha por um tempo. Ao retornar, vendo que ela havia terminado a tarefa, e estava chorando, muito emocionada, pedi que me alcançasse a folha de papel e vi que na sua parte a lista era bem grande, com quase duas dezenas de qualidades, enquanto que na parte de sua irmã, não passava de duas… Então lhe perguntei: Fulana, quem é superior, você ou sua irmã? E como um Espírito realmente acima da média me respondeu: ”Somos iguais, apenas eu me recordo dos valores verdadeiros e ela os esqueceu.”

ALLAN KARDEC – LIVRO DOS ESPÍRITOS (A Ética na Terapia de Regressão)

399. As vicissitudes da vida corporal sendo, ao mesmo tempo, uma expiação das faltas passadas e provas futuras, segue-se que, pela natureza dessas vicissitudes, se possa deduzir o gênero da existência anterior? 

“Muito frequentemente, visto que cada um é punido por aquilo em que pecou; todavia, não se deve fazer disto uma regra absoluta; as tendências instintivas são um indício mais seguro, pois as provações que o Espírito experimenta referem-se tanto ao futuro, quanto ao passado.”

Chegando ao termo que a Providência lhe assinou à vida na erraticidade, o próprio Espírito escolhe as provas a que deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento, isto é, escolhe meios de adiantar-se e tais provas estão sempre em relação com as faltas que lhe cumpre expiar. Se delas triunfa, eleva-se; se sucumbe, tem que recomeçar. O Espírito goza sempre do livre-arbítrio. Em virtude dessa liberdade é que escolhe, quando desencarnado, as provas da vida corporal e que, quando encarnado, decide fazer ou não uma coisa procede à escolha entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio fora reduzi-lo à condição de máquina.

Mergulhando na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as cobrisse. Todavia, conserva algumas vezes vaga consciência dessas vidas, que,mesmo em certas circunstâncias lhe podem ser reveladas. Esta revelação, porém, só os Espíritos superiores espontaneamente lhe fazem, com um fim útil, nunca para satisfazer a vã curiosidade.

 As existências futuras, essas em nenhum caso podem ser reveladas, pela razão de que dependem do modo por que o Espírito se sairá da existência atual e da escolha que ulteriormente faça. O esquecimento das faltas praticadas não constitui obstáculo à melhoria do Espírito, porquanto, se é certo que este não se lembra delas com precisão, não menos certo é que a circunstância de as ter conhecido na erraticidade e de haver desejado repará-las o guia por intuição e lhe dá a ideia de resistir ao mal, ideia que é a voz da consciência, tendo a secundá-la os Espíritos superiores que o assistem, se atende às boas inspirações que lhe dão.

O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter. Bastará então julgar do que foi, não pelo que é, sim, pelas suas tendências. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro. Depuram-nos e elevam-nos, se as suportamos resignados e sem murmurar. A natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei.

O que são Afro-descendentes?

Venho acompanhando há algum tempo a iniciativa de dedicar uma certa parcela de matrículas nas Universidades Federais aos afro-descendentes e fico me perguntando: O que são Afro-descendentes? Se nós olharmos pela cor da pele, são mesmo, mas se olharmos pelo prisma reencarnacionista, são Espíritos que nessa atual encarnação vieram nessa cor de pele. Podemos dizer, então, que todos os negros são afro-descendentes? Quantos deles já foram brancos em outras encarnações? Quantos brancos já foram negros em outras encarnações? Os negros “são” negros ou “estão” negros? Eu “sou” brasileiro ou nessa atual encarnação, nasci no Brasil? Já me vi na encarnação anterior, um escritor russo, eu era russo ou tinha encarnado naquele país? Na encarnação anterior eu fui um mendigo, hoje sou médico…
No meio da Terapia de Regressão, existe uma piadinha que diz que se o Bush reencarnar iraquiano, vai atacar os Estados Unidos… Fico então pensando: um judeu que não gosta de árabes, se reencarnar árabe, não vai gostar de judeus… Um branco que não gosta de negros, se reencarnar negro não vai gostar de brancos… Um brasileiro que não gosta de argentinos, se reencarnar argentino, não vai gostar de brasileiros… Parecem piadinhas, mas essas “piadinhas” nos mostram a origem verdadeira da desigualdade social, da violência em nosso planeta, do racismo e das guerras.
Trabalhando com a Terapia de Regressão há uns 20 anos, em cerca de 10.000 pessoas regredidas, tenho escutado muitas histórias de vidas passadas e nelas as pessoas enxergam-se de várias cores de pele, várias nacionalidades, várias condições sociais, de gênero sexual, etc. O que a Reencarnação ensina (e cerca de metade da população mundial é reencarnacionista) é que existe uma identidade comum a todos nós – somos um Espírito – e rótulos que podem nos iludir e afastar, e até provocar discriminação, racismo, violência e guerra, que os orientais chamam de Maya, e que chamamos de “ilusões dos rótulos das cascas”, entre elas a nossa nacionalidade e a nossa cor de pele.
Então, pela noção da Reencarnação, não existe “Afro-descendentes”, e sim pessoas que vieram com essa cor de pele por desígnios que apenas a Deus compete saber a finalidade, como não existe “brasileiro” e sim pessoas que nasceram nessa encarnação aqui no Brasil, como não existe “americano”, “iraquiano”, afegão”, etc., e sim pessoas nascidas nesses países nessa vida atual. Também não existe “o povo judeu” e nem “o povo árabe”, são pessoas que nasceram em Israel ou reencarnaram em famílias judias e pessoas que nasceram em países árabes ou nasceram em famílias árabes em outros países.
Percebam o potencial igualitário e solidário que a noção reencarnacionista pode trazer ao nosso planeta, quando todos entenderem que os rótulos são verdades aparentes, temporárias, que somos todos filhos de Deus, somos todos irmãos, e que o que nos afasta são esses rótulos. Um negro e um branco, após desencarnarem e chegarem ao Mundo Espiritual, o que são? Dois Espíritos, iguais, sem cor de pele (e sem pele…) e lá entendem que caíram nas malhas da ilusão da separatividade. Uma pessoa rica e uma pessoa pobre ao voltarem para Casa, o que percebem? Que eram iguais, afastados por rótulos sociais de uma falsa hierarquia monetária. Um judeu e um árabe, ao final da jornada terrestre, chegam ao Mundo Espiritual, continuam judeu e árabe? São iguais, de nenhuma raça nem religião, apenas retornando à raça primordial e à religião divina, igualitária e comunitária. Um americano e um iraquiano, ao final da vida, encontram-se no “céu”, o que são? Irmãos de fé verdadeira, de amor divino.
Então, a Reencarnação ensina que não existe “Afro-descendentes”, não existem “brancos”, “negros”, “nacionalidade” e outros rótulos ilusórios, temporários, somos todos iguais e devemos nos amar, nos respeitar, nos ajudar, dar as mãos, trabalhar juntos, comemorar juntos o fim das desigualdades e da violência criadas pela ilusão dos rótulos, e colaborarmos com Deus em Seu projeto para esse planeta, para que, em algum tempo, findo o período das trevas e surgindo a Luz no horizonte, dentro do nosso coração, possamos todos nos enxergar como realmente somos, seres de luz, seres de puro amor, esquecidos de nossa condição divina, presos nas malhas das ilusões, cometendo atos dignos de crianças rebeldes e desobedientes, enquanto nosso Pai aguarda, pacientemente, que cresçamos, nos tornemos adultos espirituais, e deixemos de lado essas brincadeiras perigosas e letais. Como disse Divaldo Franco em uma palestra: “Grande parte das pessoas adultas necessita consultar com um psicólogo infantil.”