Raciocínio X Contra-Raciocínio (1ª parte)

Depois de 15 anos trabalhando com a Psicoterapia Reencarnacionista, escutando as histórias de vida e as infâncias de milhares de pessoas, histórias permeadas de mágoa, sentimento de rejeição, raiva, crítica, medo ou insegurança, posso hoje afirmar que todas elas não são reais.

Todas elas são, apenas, as histórias que a nossa persona criou, as histórias como nós as lemos quando éramos crianças, as histórias que continuamos a ler quando já adolescentes, adultos ou velhos. Mas elas não são reais e, sim, interpretações do nosso Ego, da maneira limitada como nos vemos e como vemos os outros, incluindo a nossa família e as demais pessoas que entram ou passam por nossa vida.

Explicando melhor: cada um de nós, desde criança, aprende que é uma certa pessoa, de uma certa família, de um certo gênero sexual, de uma certa cor de pele, de um lugar em um país, etc… E passa a vida inteira acreditando nisso, principalmente porque todas as demais pessoas acreditam nisso também em relação a si. Também em todos os terapeutas que vamos, eles mesmos acreditam nisso a seu respeito e então não têm dúvidas disso em relação a seus pacientes.

Mas o que a quase totalidade das pessoas não percebe, ou melhor, não recorda – mesmo as pessoas que acreditam na Reencarnação – é que, se pensarem no tempo anterior a sua fecundação, a sua vida gestacional, onde estavam, quem eram, lá em cima, no Plano Astral, quando não eram uma pessoa, não eram de nenhuma família, de nenhum gênero sexual, não tinham cor de pele (aliás, nem tinham pele…), não eram de um certo lugar em um certo país; ou seja, se todos nós pensarmos onde estávamos há 1 ano antes da nossa fecundação, recordaremos que éramos um Espírito no Mundo Espiritual, no chamado período inter-vidas, vindo da nossa encarnação anterior a esta, nos preparando para retornarmos para a Terra e encarnarmos novamente, para continuar o nosso caminho kármico de retorno à Luz, à Perfeição, ao Um, ao Todo.

E se não éramos nada do que pensamos que somos, como nos conhecemos e vemos, e como conhecemos e vemos os outros, o raciocínio conseqüente é de que estamos imersos no que os orientais chamam de Maya, a Ilusão.

O que é isso? Significa que tudo é real, mas é temporário. É verdadeiro, mas é passageiro. Parece permanente, mas é impermanente.

Ora, se é temporário, se é passageiro, se é impermanente, então não pode ser “realmente” real e verdadeiro e então é, podemos dizer, uma realidade ilusória ou uma ilusão aparentemente verdadeira.

Exemplificando:

Em meu livro Como Aproveitar a Sua Encarnação, digo assim lá no início:

“O meu nome é Mauro Kwitko, sempre afirmei isso, seria até capaz de jurar que sou o Mauro Kwitko, fui registrado assim, está em todas as minhas identidades, sempre que me inscrevo em algo, coloco esse nome, todos me chamam assim. Não há dúvidas, eu sou o Mauro Kwitko! Certo? Errado. Na realidade eu estou o Mauro Kwitko. Não percebem? Essa é a grande diferença entre saber-se o que é a Vida e o não saber-se. Quando eu acreditava que era o Mauro Kwitko, não sabia o que era a Vida, quando descobri que estava o Mauro Kwitko, descobri o que é a Vida. Com­plicado? Nem tanto, vamos lá. Antes de eu nascer, o que havia? O meu Espírito (ou Consciência). Qual era o seu nome? Eu era o Mauro Kwitko ou viria a ser o Mauro Kwitko? Obviamente, a segunda opção. Em regressões a algumas encarnações pas­sadas me vi como um negro, como um oficial romano, como um mendigo, como um escritor russo, e eu era o Mauro Kwitko? Certamente não, mas era Eu, com certeza. A minha Consciência habitava “cascas” diferentes, de nomes diferentes, em épocas diferentes, e o que havia de comum em todas elas? Apenas a minha verdadeira identidade, a minha Essência, a minha Consciência, que as religiões chamam de Espírito. Mas eu não estou falando de Religião e sim de Psicologia. Então eu sou o Mauro Kwitko? Claro que não, eu sou anterior ao Mauro Kwitko, e posterior também. Eu sou eterno, a “casca” Mauro Kwitko é temporária. Eu sou real, o Mauro Kwitko é ilusório. E isso muda tudo, pois se o Mauro Kwitko é temporário, tudo nessa atual passagem terrena, que diz respeito a ele, é então o quê? Os meus filhos Hanna, Rafael, Maurício e Igor não são, eles são Espíritos que estão a Hanna, o Rafael, o Maurício e o Igor; minha mãe não era a Paulina, ela estava a Paulina, meu pai não era o Rafael, meu irmão não é o Airton, e assim por diante. E então eu estou o pai da Hanna, do Rafael, do Maurício e do Igor, a que estava Paulina, estava minha mãe, o que estava Rafael, estava meu pai, o que está Airton, está meu irmão, etc. So­mos todos personalidades passageiras, com rótulos passageiros, mas com uma missão única e em comum: a auto-evolução, ou seja, a evolução da nossa Essên­cia (ou Consciência ou Espírito), que é feita através de nós, que estamos. E vocês, são? Não, vocês estão.”

Todas as pessoas que acreditam na Reencarnação sabem disso mas não lembram com a intensidade e a freqüência que o assunto merece.

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Uma resposta em “Raciocínio X Contra-Raciocínio (1ª parte)

  1. Concordo com você. Ouvi essas mesmas colocações durante uma palestra na Federação Espirita do Estado de São Paulo (FEESP) no último sábado. Colocar-se na condição de “estar” em vez de “ser” é algo novo e não muito fácil para mim. Ao mesmo tempo é reconfortante. Muito obrigada pelas palavras esclarecedoras. Um abraço

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